Mente de Vidro
Foi de tarde. O carro estava completo e tudo o que queria jazia dentro do compartimento. Uma revisão mental rápida e nada faltava.
Estava tudo pronto.
Tentei procurar o caminho mais curto, afinal era hora de ponta. Uns cáculos rápidos e determino a rota óptima para chegar o mais depressa ao meu destino. Eis, à minha frente e bem definido, distinto entre todos os outros que me podiam calhar, um medo terrível! Enganei-me? Fiz mal as contas? Como vim aqui parar? De todos os caminhos possíveis tive de planear logo este? Foi o subconsciente? Olho rápido para todos os lados. As restantes pessoas não parecem preocupadas por caminharem neste trilho. Se calhar o problema é meu, penso. Fecho os olhos e começo a andar, confiante que a cada passo ficaria mais perto do objectivo. Mas a carne é fraca e por um olho semicerrado vislumbro uma imensidão de pecados. Força, concentra-te, não olhes, ou melhor, olha para o chão, e mais importante de tudo não pares de andar. À minha frente os passageiros do compartimento olham-me com um ar pálido como quem diz "não te podemos ajudar, tens de te safar por ti mesmo". Chego a uma clareira, é o fim! Não, não é. Apenas um oásis a meio caminho. Ainda falta outro tanto. Penso em voltar atrás, mas por outro lado algo diz-me que se já estou a meio caminho mais vale continuar. Em frente, olhos fechados e vamos embora, nada de espreitar nem de fixar perdidamente o que me rodeia. Houve quem perdesse o pouco de consciência do mundo que lhe restava para ficar horas a admirar o que agora me atormenta à minha volta.
Continuo.
Se não visse não acreditava. Cheguei ao fim. À minha frente uma multidão alinha-se em várias faixas. Procuro a mais vazia e saio dali a correr.
E foi assim a minha passagem num carrinho de compras pelos corredores dos chocolates.
Estava tudo pronto.
Tentei procurar o caminho mais curto, afinal era hora de ponta. Uns cáculos rápidos e determino a rota óptima para chegar o mais depressa ao meu destino. Eis, à minha frente e bem definido, distinto entre todos os outros que me podiam calhar, um medo terrível! Enganei-me? Fiz mal as contas? Como vim aqui parar? De todos os caminhos possíveis tive de planear logo este? Foi o subconsciente? Olho rápido para todos os lados. As restantes pessoas não parecem preocupadas por caminharem neste trilho. Se calhar o problema é meu, penso. Fecho os olhos e começo a andar, confiante que a cada passo ficaria mais perto do objectivo. Mas a carne é fraca e por um olho semicerrado vislumbro uma imensidão de pecados. Força, concentra-te, não olhes, ou melhor, olha para o chão, e mais importante de tudo não pares de andar. À minha frente os passageiros do compartimento olham-me com um ar pálido como quem diz "não te podemos ajudar, tens de te safar por ti mesmo". Chego a uma clareira, é o fim! Não, não é. Apenas um oásis a meio caminho. Ainda falta outro tanto. Penso em voltar atrás, mas por outro lado algo diz-me que se já estou a meio caminho mais vale continuar. Em frente, olhos fechados e vamos embora, nada de espreitar nem de fixar perdidamente o que me rodeia. Houve quem perdesse o pouco de consciência do mundo que lhe restava para ficar horas a admirar o que agora me atormenta à minha volta.
Continuo.
Se não visse não acreditava. Cheguei ao fim. À minha frente uma multidão alinha-se em várias faixas. Procuro a mais vazia e saio dali a correr.
E foi assim a minha passagem num carrinho de compras pelos corredores dos chocolates.